Adenomiose - Informação sumária

A adenomiose é uma situação sub diagnosticada, contudo, graças ao desenvolvimento e expansão da embolização uterina, o interesse por esta entidade tem aumentado.
Consiste na presença de endométrio, a camada mais interna do útero, na camada muscular. A adenomiose pode ser difusa invadindo todo o útero, ou focal com invasão de apenas uma área do útero, o adenomioma, que se pode confundir com um fibromioma, particularmente na ecografia. O diagnóstico é feito pela Ressonância Magnética. A ecografia é pouco sensível para o diagnóstico de adenomiose. Está muitas vezes associada à endometriose e consiste na sua extensão ao útero.

A adenomiose pode ou não acompanhar-se de fibromiomas. As principais queixas da adenomiose são hemorragias menstruais graves, dores intensas, e sintomas devido ao aumento de dimensões do útero e do abdómen. Está geralmente associada a infertilidade.
Existem já algumas publicações sobre embolização das artérias uterinas na adenomiose. Na nossa casuística, temos 151 doentes já tratadas, tendo obtido melhoria da sintomatologia na maioria 80% das doentes com adenomiose. Nove das doentes que tratamos tiveram gravidez normal e recém nascido sem problema após embolização.
O tratamento hormonal ou o dispositivo intrauterino com hormonas pode acompanhar-se de melhorias transitórias. Contudo o tratamento efectuado na maioria dos casos é a histerectomia, que é o único tratamento curativo. Como alternativa, efectua-se cada vez mais a embolização no tratamento da adenomiose. Com a embolização verifica-se melhoria na maioria das doentes portadoras de adenomiose. Contudo em cerca de 10% pode verificar-se recidiva dos sintomas necessitando de nova embolização. Verifica-se preservação do útero em 97% das mulheres com embolização com sucesso.
A adenomiose é mais frequente em pacientes que já tiveram filhos, contudo pode surgir em mulheres que nunca engravidaram.
O trauma uterino durante o parto e infecções após o parto tem sido mencionados como possíveis causas.
A parede posterior do útero é mais frequentemente envolvida do que a parede anterior.

Cerca um quinto de pacientes com idade inferior a 40 anos são portadoras de manifestações clínicas de adenomiose mas a maioria ocorre entre os 40 e 50 anos.

A Ressonância Magnética é muito importante para o diagnostico de adenomiose, notando-se que a zona de junção é superior a 12 mm e observam-se sinais de alta intensidade no miométrico.


a – Ressonância magnética – zona cinzenta de 3.29 cm de espessura
(zona de junção devido a adenomiose).

b – RM 6 meses depois – zona escura por redução da vascularização
e da espessura da zona de adenomiose para 1.93 cm, como resultado da embolização.