Cancro da Próstata- Novo Tratamento - Cancro da Próstata

Cancro da Próstata

  1. Introdução
  2. Apresentação clínica
  3. Diagnóstico
  4. Tratamento
  5. Quimioembolização Intra-arterial
  6. Controlo Laboratorial
  7. Vários passos da Quimioembolização Prostática
  8. Preparação para a Quimioembolização
  9. Após- Quimioembolização
  10. O que fazer para ser tratado?
  11. Vantagens da Quimioembolização
  12. Controlo após Quimioembolização
  13. Como tudo começou
  14. Perguntas e Respostas
  15. Testemunhos
  16. Gravidez após Quimioembolização
  17. Comunicações Livres
  18. Publicações

 

  • Introdução

 

  1. O cancro da próstata é o mais frequente na Europa em homens com mais de 70 anos de idade e nos EUA é o mais frequentemente diagnosticado depois do cancro da pele. É a 2ª causa de mortalidade por cancro depois do pulmão com um risco de vida de 15.9%.

São diagnosticados mais de 200.000 novos casos por ano nos EUA, sendo afetado um em cada seis homens. Estudos de autópsia mostram uma incidência de 33% entre os 40 e 60 anos. A incidência do cancro aumenta com a idade, compreendendo 75% em homens com mais de 85 anos. Contudo o PSA com valores abaixo exclui cancro da prostata. O cancro da prostata pode existir mesmo com valor de PSA inferior a 2.

 

  • Apresentação clínica

 

  1. O cancro da próstata pode não estar associado a quaisquer sintomas. Contudo, pode manifestar-se por sintomas urinários devido a hiperplasia benigna da próstata associada. Com o fim de o diagnosticar precocemente, deve determinar-se anualmente o PSA. Os doentes com PSA acima de 4 ou com subida súbita devem ser estudados sob o ponto de vista clinico. Contudo o cancro da prostata pode existir mesmo com PSA inferior a 2.

 

  • Diagnóstico  

 

    1. Doentes com suspeita de cancro da próstata devem ser submetidos a ressonância magnética paramétrica. Se este exame revelar alterações sugestivas de cancro da próstata, o doente deve ser submetido a biopsia para confirmar o diagnóstico. A biopsia revelará o grau de Gleason e a extensão do tumor, estes dados são importantes para a decisão do tratamento a efetuar.
  • Tratamento

 

  1. A prostatectomia, ou seja, a remoção cirúrgica da próstata é o tratamento curativo se o tumor não estiver num estado avançado. Outros tratamentos curativos são a braquiterapia e a radioterapia.

Opções terapêuticas à prostatectomia são a terapêutica por hormonas, a vigilância e a vigilância ativa.

 

  1. Quimioembolização intra-arterial

Como alternativa terapêutica aos doentes que recusem qualquer tratamento e em vez do controlo periódico ou da vigilância ativa, está a realizar-se em alguns centros a quimioembolização intra-arterial. Para o efeito, sob anestesia local, introduz-se um cateter (tubo plástico) pela virilha ou pelo pulso. Sob controlo de raios X, o cateter é colocado seletivamente em cada uma das artérias prostáticas.

Através do cateter, injetam-se citostáticos (medicamento para o cancro) seguidos de embolização, ou seja, oclusão das artérias prostáticas pelas mesmas substancias embólicas também usadas no tratamento por embolização na hiperplasia benigna da próstata. Desta forma, a medicação permanece nas artérias prostáticas, atuando a nível do tumor.

 

  1. Controlo laboratorial

Nos doentes sujeitos a quimioembolização intra-arterial o PSA deve determinar-se mensalmente até aos 6 meses e depois de 3 em 3 meses. Ressonância magnética prostática deve repetir-se aos 12 meses e depois anualmente. Ecografia prostática e fluxo urinário devem efetuar-se aos 6 e 12 meses e depois anualmente. O doente deve ser informado periodicamente do resultado da quimioembolização. Se decorridos 6 meses após a quimioembolização os resultados laboratoriais e imagiológicos não revelarem evidente melhoria, o doente será aconselhado a optar por terapêutica alternativa. Esta é a vantagem da quimioembolização. Efetivamente, se o doente optar no inicio por outra alternativa terapêutica, não poderá posteriormente efetuar a quimioembolização.

 

 

 

  1. Vários passos da Quimioembolização Prostática

Após a desinfecção das virilhas e anestesia da pele da virilha direita coloca-se um cateter, que é um tubo de plástico de 1.5mm de diâmetro numa artéria dessa virilha. Começa-se por obter angiografia ou seja radiografia dos vasos pélvicos, para avaliação da sua anatomia. De seguida, mediante monitorização por aparelho de raios X sofisticado e moderno, coloca-se dentro do cateter um microcateter de 0.3 mm com o qual se cateterizam selectivamente as artérias prostáticas esquerdas. Procede-se então, à quimioembolização, ou seja, a injeção de citostáticos nas artérias prostáticas. De seguida, são injetadas microesferas de material sintético de polivinil álcool. Este material é inócuo, sem reacções da parte do organismo e é utilizado nos EUA há mais de 40 anos em embolizações. É reabsorvido lentamente, tendo desaparecido completamente ao fim de 6 meses. As microsferas permitem a atuação após citostáticos no tecido prostático durante meses.

 

Sob controlo dos raios X, o cateter é dirigido para cada uma das artérias prostáticas, para obtenção da angiografia que é a radiografia dos ramos das artérias que irrigam a próstata, mediante contraste injectado.

 

 

Vários passos da Quimioembolização Prostática

Fig. 1 – Mesa de angiografia onde a paciente é deitada.

 

 

Fig. 2 Doente já deitado na mesa, todo coberto por um pano esterilizado, excepto face e virilhas.

Fig.3 – Anestesia local na virilha direita por pequena agulha

Fig. 4 – Cateter já introduzido

Fig. 5 – Equipa médica.

Fig. 6 – Seringa com citostáticos e partículas de álcool polivenil. Estas introduzem-se através de cateter, com as quais se vão ocluir os vasos que irrigam a próstata deixando contudo as artérias pudendas internas permeáveis para que o paciente mantenha a potência.

A- Angiografia da arteria iliaca direita

B – Angiografia da arteria prostática direita antes da embolização

C – Depois da embolização, observam-se menos vasos.

D – Angiografia da arteria iliaca esquerda

E – Angiografia da arteria prostática esquerda antes da embolização

F – Depois da quimioembolização, observam-se menos vasos.

G – Cateter prostático Pisco.

 

Fig.7

  1. Preparação para a Quimioembolização

Se os vasos pélvicos visualizados na Angiografia por TAC  forem susceptíveis de possibilitar a embolização, o paciente poderá ser tratado.

O doente deve iniciar um anti-inflamatório e um antibiótico O doente urinará antes da intervenção porque não é algaliado, a não ser que já esteja algaliado por retenção urinária.

No dia da embolização, o paciente, deve tomar, após o pequeno-almoço, os mesmos medicamentos. Dará entrada no Hospital só 1 a 2 horas antes da prevista para a intervenção.

Ao chegar ao quarto é-lhe colocado soro na veia do braço.

Com a quimioembolização, o paciente não necessita de alterar em nada a sua rotina diária, pois já pode fazer a vida normal no dia seguinte após a intervenção e muitos doentes podem retomar a sua actividade profissional nessa altura.

 

  1. Após- Quimioembolização

Completada a quimioembolização, em ambos os lados, retira-se o cateter e exerce-se compressão no pequeno orifício de 1.5 mm efectuado para colocação do cateter, durante cerca de 10 mn, a que se segue colocação de penso compressivo. Não são necessários pontos pelo que não existe qualquer cicatriz.

Duas horas após a embolização o paciente já pode ir à casa de banho. Após a embolização já pode tomar uma refeição normal e medicação oral. Se estiver assintomático e a tensão estiver normal, irá para casa, 4 a 8 horas depois.

O paciente pode retomar a sua actividade normal no dia seguinte.

 

Nos dias a seguir à embolização pode ocorrer:

– Algum sangue na urina;

– A coxa ou o abdómen podem ficar roxos, desaparecendo lentamente;

– Aparecimento de um pequeno alto no local onde foi introduzido o cateter;

– Algum sangue no esperma ou nas fezes;

– Ardor quando urina;

– Urinar mais vezes. Neste caso o doente deverá retomar a medicação que tomava durante uma semana;

– Sangue nas fezes.

 

Estes sintomas não têm significado e desaparecem espontaneamente decorridos alguns dias.

Ao regressar a casa, o doente  fica medicado, havendo um contacto permanente com a equipa para avaliar as queixas ou esclarecer quaisquer dúvidas (todos os pacientes tratados ficarão com o telemóvel da equipa, disponível 24h/dia).

No dia a seguir à quimioembolização não deve estar acamado, podendo fazer a sua actividade normal e alguns pacientes iniciam mesmo a sua actividade profissional, não devendo, contudo, conduzir.

Fig. 9 – Terminada a quimioembolização retira-se o cateter e faz-se compressão manual durante 10 mins no pequeno orifício de 1.5mm através do qual se introduziu o cateter.

Fig. 10 – Terminada a compressão não se observa qualquer orifício

Fig. 11 – Penso colocado sobre a zona onde se introduziu o cateter.

  1. O que fazer para ser tratado?

Fazer ecografia da prostata por via rectal e PSA e marcar consulta para a qual deve trazer aqueles exames.

Se viver no estrangeiro deve preencher o inquérito em anexo, o IPSS e o IIEF e devolvê-los devidamente preenchidos.

 

Inquérito

Para mais informação deverá consultar a página do site www.martinspisco.hslouis.pt

A quimioembolização no cancro da próstata é uma nova alternativa terapêutica que só será efectuada se tiver indicação e se recusar outro tratamento.

Se quiser de uma forma rápida saber se tem indicação para ser tratado envie relatório de ecografia recente da prostáta por via rectal, PSA e preencha o inquérito em anexo e responda às seguintes perguntas. Deve igualmente preencher e devolver o IPSS e o IIEF em anexo.

  1. Nome:
  2. Email:
  3. Que idade tem? E a sua data de nascimento?
  4. Peso e Altura:
  5. Como conheceu a técnica?
  6. Profissão:
  7. Qual o País em que vive?
  8. É fumador? Quando deixou de fumar quantos cigarros fumava?
  9. Que medicamentos toma para a próstata?
  10. Que outros medicamentos toma?
  11. Que doenças teve?
  12. Teve enfarto do miocárdio ou AVC?
  13. Toma aspirina?
  14. Toma anticoagulantes?
  15. Tem alguma alergia ou asma?
  16. É diabético? Se sim, que medicação toma?
  17. Valor do PSA, valores no último ano.
  18. Já efetuou ressonância da próstata? Envie o seu relatório e os relatórios de outros exames.
  19. Envie relatório da biopsia.Quando receber esta informação informá-lo-ei se tem ou não indicação para ser tratado. Se tiver indicação poderá então marcar consulta e posteriormente ser tratado.
  20.  Posteriormente, se tiver indicação para ser tratado deverá efectuar e enviar os seguintes exames: creatinina, glicemia, ureia, urina tipo II, ecografia vesical com avaliação do resíduo vesical pós-miccional e fluxo urinário.PS. – Espero que compreenda, mas afim de evitar gastos desnecessários, só será marcada consulta se tiver indicação para ser tratado.

 

                                        IPSS

 

                                           IIEF

         (Índice Internacional de Função Eréctil)

Este questionário é usado para avaliar sua função sexual nos últimos 6 meses:

 

  1. Quão seguro você se sentiu em ter uma ereção e mantê-la?

 

  1. Não tenho certeza
  2. Não tenho muita certeza
  3. Moderadamente seguro
  4. Seguro
  5. Muito seguro

 

  1. Quando teve ereções como resultado da estimulação sexual, com que frequência seu pénis era rígido o suficiente para permitir a penetração?

 

  1. Não fui estimulado sexualmente
  2. Quase nunca ou nunca
  3. Raramente (muito menos da metade do tempo)
  4. Às vezes (cerca de metade do tempo)
  5. Na maioria das vezes (muito mais da metade do tempo)
  6. Quase o tempo todo ou o tempo todo

 

  1. Quando tentou fazer sexo, com que frequência conseguiu manter a ereção depois de penetrar a sua parceira?

 

  1. Não tentei fazer sexo
  2. Quase nunca ou nunca
  3. Raramente (muito menos da metade do tempo)
  4. Às vezes (cerca de metade do tempo)
  5. Na maioria das vezes (muito mais da metade do tempo)
  6. Quase o tempo todo ou o tempo todo

 

  1. Durante a relação sexual, quão difícil foi manter a ereção até o final do ato?

 

  1. Não tentei fazer sexo
  2. Extremamente difícil
  3. Muito difícil
  4. Difícil
  5. Um pouco difícil
  6. Não é difícil

 

  1. Quando tentou fazer sexo, com que frequência você ficou satisfeito?

 

  1. Não tentei fazer sexo
  2. Quase nunca ou nunca
  3. Raramente (muito menos da metade do tempo)
  4. Às vezes (cerca de metade do tempo)
  5. Na maioria das vezes (muito mais da metade do tempo)
  6. Quase o tempo todo ou o tempo todo

 

 

  1. Vantagens da Quimioembolização

A quimioembolização no cancro da prostata é uma técnica minimamente invasiva, efectuada sob anestesia local, sem dor, ou com dor mínima, e sem perda de sangue, em regime ambulatório, com um tempo de internamento mínimo de algumas horas, sem necessidade de algaliação, sem perda de sangue, com tempo de convalescença  minimo de 1 dia, com complicações minimas em doentes bem selecionados, e sem alteração da actividade sexual. A fim de evitar complicações e obter bons resultados, somos muito rigorosos na selecção dos doentes, e aqueles com ateroesclerose avançada ou grande tortuosidade dos vasos pélvicos ou com sintomas não significativos serão excluídos. A quimioembolização no cancro da prostata é uma técnica óptima em doentes criteriosamente selecionados, e  esperamos que seja dentro de pouco tempo a técnica de futuro no tratamento do  carcinoma da próstata. Serão igualmente excluídos os doentes que aceitem outro tratamento para o cancro da prostata.

 

  1. Controlo após Quimioembolização

 

O paciente será por nós contactado telefonicamente na manhã a seguir à embolização. Ao fim de um, seis,  e depois mensalmente, é realizado o PSA no sangue, a fim de avaliar os resultados da quimioembolização. Ao fim de 6 meses repetirá os exames de testosterona total e livre. Ressonância Magnética deverá ser repetida ao fim de um ano e depois anualmente.

O doente será informado periodicamente após a realização dos exames referidos. Se a resposta não for favorável o doente será recomendado a procurar tratamento alternativo.

O paciente poderá contactar-nos em qualquer altura pois a equipa médica encontra-se contactável 24 horas por dia, facto que dá muita segurança ao paciente.

 

  1. Como tudo começou

Iniciámos a embolização das artérias uterinas no tratamento de fibromiomas uterinos em 24-6-2004. Decorridos 3 anos, e após termos tratado cerca de 800 pacientes com excelentes resultados e tendo conhecimento das complicações graves após a cirurgia à hiperplasia benigna da próstata (HBP), pensamos que o mesmo tratamento poderia ser aplicado àquela doença.

Em Fevereiro de 2009 o paciente Manuel Inácio de 76 anos de idade, meu amigo e conterrâneo procurou-me. Estava em retenção urinária com algália havia 3 meses. Pediu-me que o tratasse pelo mesmo processo que teria usado para tratar um fibromioma uterino de uma paciente sua conhecida. Recusava cirurgia por já ter sido submetido a 3 intervenções. Em Março de 2009 efectuei o tratamento que há muito tinha em mente. Cinco dias depois o paciente estava sem algália e urinava com bom fluxo.

Seis meses depois grávida a namorada de 39 anos. Dado o excelente resultado obtido, comecei a tratar amigos com HBP a custo zero, por acordo com a administração do H. S. Louis. Os excelentes resultados obtidos com a embolização da hiperplasia da prostata e a alta incidência do cancro da prostata criaram em nós o sonho de vir a tratar esta doença e a conceber uma forma não invasiva de o fazer. Assim em Abril de 2013, 4 anos após o nosso pioneirismo na EAP efectuamos a primeira quimioembolização num amigo de 55 anos de idade e que recusou a resseção cirúrgica, única alternativa que lhe tinha sido oferecida. Os resultados razoáveis despertaram em nós cada vez mais interesse e a efectuar algumas alterações que contribuíssem para a melhoria dos resultados. Não temos hoje qualquer dúvida que o sucesso da quimioembolização irá ser idêntico ao da embolização na HBP.

 

  1. Perguntas e Respostas

1.O que é a próstata?

A próstata é um órgão acessório do aparelho reprodutor masculino, que tem como função a produção de um líquido pouco espesso que ajuda a conservar os espermatozóides após a ejaculação, mantendo a sua viabilização na vagina. Localiza-se por baixo da bexiga com a forma de uma castanha, sendo atravessada pela uretra, daí a interferência com a micção quando existe patologia prostática.

 

2. O que é a Quimioembolização?

A embolização efectua-se em Medicina desde a década de 60. A embolização das artérias hipogástricas tem sido tentada e descrita para tratamento de situações de hemorragia incontrolável secundária a situações oncológicas prostáticas, ou vesicais, ou a cirurgia. Nós próprios publicámos, em 1989, na revista americana «Radiology» a sua realização em hemorragias incontroláveis da pélvis por neoplasias. A embolização arterial supraselectiva para tratamento da sintomatologia urinária secundária a HBP foi a técnica utilizada num doente com hematúria persistente e descrita por DeMeritt em 2000. A embolização das artérias prostáticas (EAP) no Tratamento da Hiperplasia Benigna é uma técnica inovadora, de investigação, minimamente invasiva no alívio dos sintomas, que é realizada no Hospital de S. Louis, com menos riscos que as técnicas cirúrgicas e com bons resultados preliminares. O seu objectivo é interromper a circulação sanguínea que irriga a próstata, resolvendo o problema de forma rápida e duradoura e preservando a próstata. Sem irrigação sanguínea a próstata atrofia-se e os sintomas melhoram ou desaparecem. A equipa de Radiologia de Intervenção do Hospital Saint Louis,  depois de ter efectuado a embolização com sucesso, em mais de 2000 pacientes com fibromiomas uterinos e a embolização na hiperplasia benigna da próstata em amigos de 1400 pacientes começou a efectuar a quimioembolização em Abril de 2013. No nosso país, realiza-se no Hospital Saint Louis, desde aquela data. Em qualquer parte do mundo, a embolização é sempre efectuada por um radiologista de intervenção, um médico que é treinado especialmente para realizar este e outros tipos de embolização com técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de incisão, não deixando qualquer cicatriz.

 

3. Como se realiza a Embolização?

Sob anestesia local, e sem perda de sangue, efectua-se um pequeno orifício de 1.5 mm de diâmetro na virilha, através do qual se coloca um fino tubo plástico, catéter. Mediante monitorização por um aparelho de raios X digital sofisticado, o catéter é dirigido para as artérias prostáticas. Citostaticos são injetados nas artérias prostáticas.Partículas embolizantes de pequenas dimensões, como grãos de areia, são depois injectadas nas artérias prostáticas, entupindo os ramos que irrigam a próstata, poupando, contudo, a artéria pudenda interna, para que o paciente possa manter a função eréctil. A técnica dura geralmente 1 hora, estando o doente consciente e podendo mesmo visualizar o tratamento no monitor de televisão. Completada a embolização, retira-se o catéter, efectua-se compressão manual durante cerca de 5 minutos e coloca-se um pequeno penso compressivo, que deve ser mantido até à manhã seguinte. Duas horas após a embolização, o doente já se pode levantar do seu leito e deslocar-se para urinar. O Hospital St. Louis é o único centro a nível mundial, onde a quimioembolização prostática se efectua, O internamento dura apenas algumas horas e a quase totalidade dos pacientes vai para casa após o jantar, se a tensão arterial estiver normal, mesmo que residam a várias centenas de kms de Lisboa. Neste período, haverá um contacto permanente com a equipa médica, para avaliar queixas ou esclarecer quaisquer dúvidas.

 

4. Que exames terei de fazer para efectuar a Quimioembolização?

Terá de fazer uma ecografia pélvica por via transrectal para avaliar o volume da próstata. Deverá também fazer PSA, fluxometria, resíduo vesical pos-miccional e exames de sangue de rotina (hemograma, creatinina e testosterona total e livre). Terá de realizar uma  Angiografia por TAC, para estudar os vasos pélvicos e a possibilidade de vir a efectuar a embolização. Deverá fazer uma Ressonância Paramétrica. A cintigrafia óssea só será efectuada se o PSA for superior a 10.

5. Quais são os riscos associados com a Quimioembolização?

A quimioembolização é uma técnica muito segura, contudo, podem ocorrer alguns riscos associados, como em qualquer tratamento médico, mas que são raros. Actualmente, no Hospital St. Louis, a maioria dos doentes não sente qualquer sintoma após a embolização. Alguns podem referir ligeira dor, calor ou ardor, que são facilmente controlados por medicação apropriada. Os riscos da embolização são muito inferiores aos da cirurgia. A fim de evitar riscos, os doentes, cujas artérias estejam muito envolvidas pela arteroesclerose, revelado pela Angio TAC, são excluídos. As complicações são as de qualquer cateterismo, sendo as mais frequentes, o hematoma no local da punção, a infecção urinária, a urina ou esperma com sangue e a cor roxa da coxa e abdómen. Contudo, estas reacções adversas desaparecem ao fim de alguns dias sem tratamento.

6. Será a Quimioembolização Dolorosa?

A embolização não causa qualquer dor durante ou após o procedimento.

7.  Quanto tempo dura a Convalescença?

No dia seguinte à embolização, o doente não deve estar acamado, podendo na maioria dos casos, retomar a sua vida normal, não devendo, contudo, conduzir. O paciente pode retomar a sua actividade profissional 2 dias, após o tratamento.

 

8. omo são os resultados da Quimioembolização Avaliados?

Os resultados da quimioembolização são avaliados pelo PSA mensal até aos 6 meses e depois de 6 em 6 meses e pela ecografia prostática. Efectuará também a avaliação de testosterona total e livre dos 6 meses e a Ressonância Magnética paramétrica anualmente.

 

9.  Quais são as contra-indicações da Quimioembolização Prostática?

Não será submetido a quimioembolização se aceitar outro tratamento alternativo ou se as artérias prostáticas estiverem muito envolvidas por aterosclerose.

10.  O que fazer para ser tratado?

Terá de marcar consulta  no Hospital Saint Louis. Só o deverá fazer depois de  possuir ecografia prostática com sonda rectal, PSA e fluxograma recentes e resíduo vesica pós-miccional. Na consulta deverá preencher inquéritos internacionais sobre os sintomas, a qualidade de vida e a função sexual. Será observado, ser-lhe-á explicada a técnica e se for necessário, ser-lhe-ão pedidos outros exames. Deverá também efectuar Ressonância Magnética paramétrica da prostata em centro de qualidade e com experiência. Se o PSA for superior a 10 terá de efectuar a cintigrafia óssea. Antes da quimioembolização deverá avaliar a testosterona total e livre. Após esta consulta, deverá efectuar Angio TAC para avaliação dos vasos pélvicos e possibilidade de tratamento. Contudo, este exame tem algumas limitações pois por vezes podem verificar-se  pequenas lesões nas artérias, durante o tratamento que não tinham sido detectadas no Angio TAC.

 

15. Testemunhos

 

J.C.- PAE – 1160

 


L.S.  EAP 955

 

EAP 1321

Tenho 75 anos e foi-me diagnosticado um tumor maligno na próstata.

Recorria à consulta do Dr. João Pisco que depois de analisar com a observação da biópsia, me aconselhou uma intervenção que teve lugar no dia 21 de Dezembro de 2017 com um internamento de poucas horas, fácil e sem complicações.

 Os meus valores de PSA no antes e após a intervenção são os seguintes:

08-11-2017         –              6,32

04-01-2018         –              3,08

05-02-2018         –              1,41

 O desconforto anterior à intervenção era muito grande pois tinha que me levantar 4 a 5 vezes por noite para urinar o que deixou de acontecer completamente.

 Por tudo isto, só tenho a agradecer, e muito, não só ao Dr. Pisco como a toda a sua equipa que me tratou no hospital St. Louis.

J.W.

 

EAP 1068

No pretérito dia 21 de Julho de 2016 fui submetido a uma intervenção cirúrgica para tratamento através de embolização de um tumor na próstata.

Esta intervenção foi realizada pelo Senhor Professor Doutor Martins Pisco e sua equipa, que enalteço pelo cuidado, atenção e mérito do elevado profissionalismo que me dedicaram durante e no pós operatório.

Por tudo são credores da maior estima, consideração e respeito.

Bem hajam

V. M. A.

A.T. EAP 115: Estimado Professor João Martins Pisco,

perfazem no próximo mês de Julho de 2018 SETE Anos sobre a data em que o senhor me submeteu à

embolização da próstata. Quero por este meio dar-lhe conta do meu estado de saúde após essa intervenção:

– deixei a partir dessa data de fazer qualquer tipo de medicação;

– não sofri qualquer tipo de efeitos secundários;

– normalizei a prestação urinária (nos três anos anteriores tive 3 internamentos por interrupção);

– o ultimo PSA (novembro de 2017) marcou 0.02 ng/mL;

– a minha vida sexual não sofreu qualquer dano,

“esqueci-me” que tenho próstata.

Quero pois agradecer-lhe a qualidade de vida que o Sr. Professor me proporcionou.

Outros Três amigos meus recorreram igualmente aos seus préstimos com igual sucesso.

Continuo indignado com a atitude das instituições de saúde portuguesa quanto ao reconhecimento das suas práticas.

Muito obrigado

Loulé 2 de Fevereiro de 2o18

A.T.

 

 

 

16. Gravidez após Quimioembolização

Os 3 filhos da esposa do doente tratado após quimioembolização. A gravidez só foi possível após o procedimento. A ejaculação retrograda provocada pelos x bloqueantes urads para a HBP associada não permitir a concepção.

17. Comunicações Livres

 

SIR 2017 – Washington, March 4 – 8

 

1 – Prostate Arterial Chemoembolization for prostate cancer- SIR 2017


 

2- NEW TREATMENT FOR PROSTATE CANCER – PROSTATIC ARTERY CHEMOEMBOLIZATION CIRSE 2017

João Pisco, Tiago Bilhim, Manuel Pinto Ribeiro, Amadeu Brigas, Lúcia Fernandes, Nuno Costa, António G. Oliveira

Purpose – To evaluate the short and mid term results of prostatic artery Chemoembolization (PACE) for patients with prostate cancer (Pca).

Materials and Methods – Between March 2015 and February 2017, 30 patients with Pca underwent PACE. Gleason score ranged between 6 and 10 and staging was T2NoMo.

For PACE, Chelidonium majus Mother-Tincture 1cc was injected and following that, Docetaxel 1cc mixed with Lipiodol 0.5 were injected in prostatic arteries. Embolization of these arteries was performed with Embospheres 150-300µm.

Results – Mean patients age was 68.4 y. Patients whose PSA did not decrease under 2 ng/mL after PACE were considered initial biochemical failure as occurred in 5 (16.7%) patients. Of the 25 patients with technical success there were 23 (92%) initial biochemical success and 2 (8%) initial biochemical failure. Between 1 and 12 months there were 5 (28%) additional patients with biochemical failure and 18 patients (72%) with biochemical success. Twelve patients were evaluated at mid-term between 12 and 18 months with 2 (16,6%) mid-term failures. From the 25 patients with technical success there were 16 (64%) with biochemical success. There was a major complication a bladder wall ischemia treated by surgery.

Conclusion – PACE for prostate cancer is a new, safe and promising outpatient procedure for Pca with good short and mid term results.

 

3. 21 de fevereiro de 2018 – Dubai, Congresso da Associação Arabe de Radiologia Intervencionista, cancro da próstata.

Is there a role for catheter in  prostate cancer?

 

 

18. Publicações

 

Safety and Efficacy of Prostatic Artery Chemoembolization for Prostate Cancer-Initial Experience.

Urotoday, Journal of vascular and interventional radiology : JVIR. 2018 Jan 15

João Pisco, Tiago Bilhim, Nuno V Costa, Manuel Pinto Ribeiro, Lucia Fernandes, António G Oliveira

To evaluate outcome of prostatic artery chemoembolization for patients with prostate cancer (PCa).

This single-center prospective cohort study was conducted between August 2013 and July 2016 in 20 patients with PCa who underwent chemoembolization. Mean patient age was 67.5 years ± 6.4. Gleason score was 6-10, and staging was T2N0M0. Fifteen patients refused prostatectomy and 5 wanted to stop hormonal therapy because of side effects. For chemoembolization, Chelidonium majus mother tincture 1 mL was slowly injected into the prostatic arteries. Docetaxel 1 mL and 150-300 μm Embosphere (Merit Medical Systems, Inc, South Jordan, Utah) microspheres 0.5 mL were thoroughly mixed, and the mixture was slowly injected by the same route. Embolization of prostatic arteries was finished with 150-300 μm Embosphere microspheres. Technical success was defined as bilateral prostatic artery embolization. Biochemical failure was defined as prostate specific antigen (PSA) decrease to < 2 ng/mL followed by recurrence when PSA increased to > 2 ng/mL within 1 month after success.

Technical success was 80.0% (16/20 patients). Biochemical failure was 18.7% (3/16 patients). There was 1 short-term biochemical recurrence at 4 months and 2 midterm recurrences (12-18 months). Biochemical success at 12-18 months was 62.5% (10/16 patients). Adverse events (31.3%) included a small area (2 cm2) of bladder wall ischemia, which was removed by surgery (n = 1); transient acute urinary retention (n = 1) and urinary urgency (n = 1) for 1 week; sexual dysfunction (n = 2), which completely recovered after 10 and 12 months, respectively.

Prostatic artery chemoembolization allowed a biochemical response in patients with localized PCa and is a promising treatment.

Interventional Radiology Department, Hospital Saint Louis, Avenida David Mourão Ferreira 27, 4D, Lisbon, Lumiar 1750-220, Portugal., Interventional Radiology Department, Hospital Saint Louis, Avenida David Mourão Ferreira 27, 4D, Lisbon, Lumiar 1750-220, Portugal; Radiology Department, Nova Medical School, Lisbon, Portugal., Interventional Radiology Department, Hospital Saint Louis, Avenida David Mourão Ferreira 27, 4D, Lisbon, Lumiar 1750-220, Portugal; Radiology Department, Nova Medical School, Lisbon, Portugal. Electronic address: nunocosta@radiology.win ., Oncology Department, Hospital Da Cruz Vermelha Portuguesa, Lisbon, Portugal., Department of Pharmacy, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brazil.

 

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