Fibromiomas - Embolização uterina

Desde 1985 vem sendo utilizada uma técnica não invasiva que consiste na interrupção da circulação sanguínea que irriga o fibromioma, atenuando ou eliminando os sintomas em cerca de 90% das mulheres submetidas a esta técnica.

No nosso país, realiza-se no hospital de Saint Louis desde de Junho de 2004, tendo já sido tratadas mais de 1700 pacientes.

A embolização é uma técnica minimamente invasiva, simples nas mãos do radiologista de intervenção experiente, com menos riscos que as técnicas cirúrgicas, cujo objectivo é interromper a circulação sanguínea que irriga os fibromiomas, resolvendo o problema de forma rápida e duradoura e preservando o útero. Sem irrigação sanguínea o fibromioma atrofia-se e os sintomas desaparecem.

A embolização uterina é efectuada por um radiologista de intervenção, um médico que é treinado especialmente para realizar este e outros tipos de embolização com técnicas minimamente invasivas. Para o efeito, a paciente é deitada numa mesa de angiografia, onde se realiza a intervenção.

Os fibromiomas são tumores altamente irrigados, razão pela qual podem crescer e sangrar muito. Recebem a sua vascularização das duas artérias uterinas e por vezes também das artérias ováricas. Como são muito vascularizados actuam como uma esponja sobre as partículas colocadas no cateter, absorvendo-as. Desta forma, bloqueiam unicamente os vasos que irrigam os fibromiomas poupando os que alimentam as paredes do útero.

Esquema das artérias que irrigam os fibromiomasEsquema das artérias que irrigam os fibromiomas: uterinas (setas inferiores) e ováricas (setas superiores). * Anastomose entre as artérias ováricas e uterinas. Os números indicam calibre dos vasos em micra a diferentes níveis.

Antes e após a embolização

a) Artéria Uterina Direita antes da embolização dá origem a numerosos vasos (seta pequena) que irrigam o fibromioma.
b) Artéria Uterina Direita após a embolização – os pequenos vasos que irrigam o fibromioma não são visíveis por estarem entupidos, mas a artéria uterina mantém-se permeável (seta).
c) Artéria Uterina esquerda antes da embolização dá origem a numerosos vasos (seta pequena) que irrigam o fibromioma. Artéria ovárica esquerda (seta grande).
d) Artéria Uterina esquerda após a embolização – os pequenos vasos uterinos que irrigam o fibromioma não são visíveis por estarem entupidos, mas a artéria uterina mantém-se permeável (seta).

Imediatamente antes de iniciar a embolização as pacientes tomam um tranquilizante sob a forma de comprimido, analgésicos e anti-inflamatórios por via endovenosa.

Sob anestesia local, e sem perda de sangue efectua-se um pequeno orifício de 1.5 mm de diâmetro na virilha direita através do qual se coloca um fino tubo plástico chamado cateter, que mediante monitorização por aparelho de raios X digital sofisticado é dirigido para a artéria uterina esquerda. Efectua-se então uma arteriografia, ou seja uma visualização dos vasos, por meio de líquido contraste, sob controlo dos raios X, para obter o mapa de fornecimento sanguíneo ao útero e fibromioma. O material utilizado é constituído por partículas de polivinil álcool ou Microsferas de Embozene, um polímero, sem reacção da parte do organismo, estando completamente reabsorvido 6 meses depois. Partículas de plástico finas, como graus de areia, injectadas na artéria uterina vão entupir selectivamente os ramos que irrigam o fibromioma, poupando contudo a própria artéria uterina para que a doente possa engravidar mais tarde. Estas partículas alojam-se nos vasos dos fibromiomas e não se podem deslocar para outras partes do corpo. Repete-se a injecção de partículas até que todas as artérias do fibromiomas estejam bloqueadas. A embolização é depois repetida para a artéria uterina do lado oposto através do mesmo orifício e pelo mesmo cateter. A embolização é continuada até se obter bloqueio completo do sangue para os fibromiomas. Consideramos terminada a embolização quando, sob controlo dos raios X, se verificar oclusão dos pequenos vasos uterinos que alimentam o tumor.

Depois da embolização efectua-se outra arteriografia para confirmar o corte total da irrigação dos fibromiomas.

Esquema de embolização

Esquema de embolização 1

Fig. 1 – Através de um pequeno orifício de 1,5mm na virilha direita introduz-se na artéria femoral um tubo de plástico fino, o cateter, conduzido até à artéria uterina.

Esquema de embolização 2

Fig. 2 – Uma vez nas artérias uterinas são injectadas partículas para impedir que o sangue continue a alimentar os fibromiomas.

Esquema de embolização 3

Fig.3 – Pré Embolização. Arteriografia de artéria uterina. Observam-se abundantes vasos de fibromiomas (setas)

 

 

Esquema de embolização 4

Fig. 4 – Após a embolização os vasos estão ocluídos e apenas a artéria uterina se mantém permeável (seta).

A técnica dura, geralmente, entre 30 e 60 minutos, estando a doente consciente e podendo mesmo visualizar o tratamento no monitor de televisão.

Apesar de não desaparecerem por completo, os fibromiomas ficam atrofiados e inactivos, deixando de causar sintomas, nalguns casos, imediatamente após a embolização, permanecendo a maioria das doentes sem queixas. Logo no primeiro período menstrual a hemorragia e a dor melhoram na maioria dos casos de forma considerável.

Esta técnica, tem menos riscos que as outras técnicas, não afecta a fertilidade e a recuperação é menos dolorosa e mais rápida.

Nos fibromiomas que se acompanham de aumento de volume do abdómen, verifica-se uma redução progressiva das suas dimensões. Nalguns casos, a redução de volume do abdómen pode verificar-se logo após a embolização.

redução de volume do abdómen

a, b, c) Aumento de volume do abdómen por fibromioma

d) Seis meses depois da embolização já não se observa o aumento de volume. Duas horas após a embolização, a paciente resolveu tirar o soro, colocado na veia do antebraço e saiu do hospital e foi trabalhar, por estar assintomática.

a)                                                                     c)

RM da paciente da figura anterior

b)                                                                           d)

RM da paciente da figura anterior:
a, b) fibromioma com diâmetros de 12,9;12,7 e 7,37cm de cor cinzenta por possuir sangue.
c, d) RM 6 meses após a embolização: o maior diâmetro do fibromioma mede 1.9 cm, e os restantes 1,7 e 0,3 cm, e cor escura devido a isquémia., ou seja, ausência de vasos sanguíneos. Verifica-se uma redução de 98% do volume do fibromioma.

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Comentários: 159

  1. Stela says:

    Estou interessada em fazer uma consulta. Pois tenho miomas em crescimento. Onde poderei efectuar a marcação?

  2. MARISTELA says:

    GOSTARIA DE SABER O REÇO DA EMBOLIZAÇÂO

  3. Elvira Lopes says:

    Boa tarde D.Pina, tenho um moima com 6cm, tenho 47anos, a minha ginecologista quer operar-me. Tenho algum receio. Depois de alguma pesquisa descobri o seu metodo e fiquei intetessada. Como tal, gadtsva de saber se ADSE comparticipa e com o valor. Com os melhores cumprimentos, elvira lopes.

  4. Pina says:

    ira ser respondido por mail

  5. Pina says:

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  6. Pina says:

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  7. Pina says:

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  8. Thiene says:

    Mandei mensagem e nao tenho resposta. Tenho o plano de saúde Multicare 3, o mais comprrensivo de todos. Sabe se é coberta a embolização? Já houveram utentes com este plano que fizeram a embolização?

  9. Pina says:

    Temos acordo com a multicare, o valor acordado é de 2.950€, carece de pre autorização e so apos analise podera saber a percentage exata a seu cargo. Para mais infomações ou marcação de consulta: s.angiografia@hslouis.pt

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