Hiperplasia Benigna da Próstata - Novo tratamento - Perguntas e respostas

O que é a próstata?

A próstata é um órgão acessório do aparelho reprodutor masculino, que tem como função a produção de um líquido pouco espesso que ajuda a conservar os espermatozóides após a ejaculação, mantendo a sua viabilização na vagina. Localiza-se por baixo da bexiga com a forma de uma castanha, sendo atravessada pela uretra, daí a interferência com a micção quando existe patologia prostática.

O que é a Hiperplasia Benigna da Próstata?

A Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) é a doença mais frequente da próstata, muito comum em homens de meia-idade e idosos, com sintomas muito debilitantes que condicionam a qualidade de vida. Pode afectar 70% dos homens com mais de 65 anos, 80% entre 70 e 80 anos, 90% com mais de 80 anos e a quase totalidade com mais de 90 anos. Trata-se de um aumento benigno do volume da próstata, que pode obstruir as vias urinárias inferiores. Pode verificar-se ausência de sintomas durante algum tempo. Se não estiver associada a sintomas não necessita de qualquer tratamento.

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas resultam geralmente de obstrução uretral.

Estes podem ser:

– Aumento da frequência das micções com eliminação de pequenos volumes de urina;
– Aumento da frequência de micções à noite;
– Jacto urinário fraco;
– Sensação de não ter esvaziado completamente a bexiga após urinar;
– Jacto interrompido;
– Urgência em urinar com dificuldade em suster a urina;
– Impossibilidade em urinar com retenção urinária, levando à algaliação;
– Hesitação – dificuldade de iniciar a micção;
– Impotência sexual causada pela medicação.
– Sangue na urina;

Estes sintomas podem ocorrer isoladamente, ou em conjunto. Podem ser leves, moderados ou severos. Há situações agudas, como a retenção urinária, levando o paciente ao hospital, para a introdução de uma sonda na uretra, esvaziando assim a bexiga.

Como é feito o diagnóstico da HBP?

O diagnóstico faz-se através de uma história clínica, que vai classificar o paciente em pouco, leve ou muito sintomático. Um exame físico detalhado, incluindo um toque rectal (exame digital através do ânus) é realizado. A dosagem do antígenio prostático específico (PSA) é de vital importância para a avaliação, pois permite a detecção precoce do cancro da próstata. Outros exames laboratoriais são geralmente solicitados, incluindo Urina II, Glicemia, Colesterol, Triglicerideos, Hemograma, V.S., Creatinina e Ureia. O paciente deve igualmente efectuar fluxograma urinário, o resíduo vesical pos-miccional e nalguns casos o estudo urodinâmico. Os possíveis exames de imagem são a ecografia pélvica e com sonda endo-rectal, para medição dos 3 diâmetros e volume da próstata. Estes exames deverão ser de qualidade, para avaliar rigorosamente a percentagem de redução do volume da próstata, pelo que serão sempre efectuados nos mesmos consultórios. A angiografia obtida por TAC permite a observação da anatomia dos vasos pélvicos e o seu envolvimento pela ateroesclerose. Tal é de grande importância, pois indica a possibilidade de efectuar a embolização ou excluir este tratamento.

Como é tratada?

Existem várias hipóteses terapêuticas, conforme a severidade dos sintomas. Os pacientes levemente sintomáticos serão acompanhados clinicamente, ficando sob observação. A terapêutica médica actual envolve os antagonistas alfa1 (alfasusina e tamsulosina) e os inibidores da 5 alfa reductase (finasteride e dutasteride), tendo indicação nas situações de sintomatologia urinária ligeira.
Nos pacientes severamente sintomáticos ou naqueles que, por qualquer razão, não possam tomar os medicamentos, está indicada a cirurgia. Esta pode ser a prostatectomia por via aberta, ou a ressecção transuretral da próstata (RTPU), totalmente pela uretra. Existem vários outros métodos cirúrgicos (cirurgia a laser, termoterapia, eletrovaporização, etc), não sendo porém comparáveis em resultados com as cirurgias clássicas. A cirurgia poderá estar associada a hemorragia, com necessidade de transfusão sanguínea e a disfunção sexual com ejaculação retrógrada. A RTPU poderá estar igualmente associada a ejaculação retrógrada, na maioria dos casos. A HBP não tratada pode levar a graves complicações: retenção urinária, infecções urinárias, cálculos na bexiga e insuficiência renal.

O que é a Embolização?

A embolização na hiperplasia benigna da próstata é uma técnica de investigação em Curso no Hospital Saint Louis em Lisboa, desde Março 2009, depois de aprovada pela Comissão de Ética do Hospital.

Após o início do nosso programa e a visita de vários médicos estrangeiros a técnica foi implementada em cerca 40 centros nos EUA, e vários centros da Europa, América do Sul, Canada, Austrália, Japão e Correia do Sul.

A embolização efetua-se em Medicina desde a década de 60.
A embolização das artérias hipogástricas tem sido tentada e descrita para tratamento de situações de hemorragia incontrolável secundária a situações oncológicas prostáticas, ou vesicais, ou a cirurgia. Nós próprios publicámos, em 1989, na revista americana «Radiology» a sua realização em hemorragias incontroláveis da pélvis por neoplasias. A embolização arterial supraselectiva para tratamento da sintomatologia urinária secundária a HBP foi a técnica utilizada num doente com hematúria persistente e descrita por DeMeritt em 2000. A embolização das artérias prostáticas (EAP) no Tratamento da Hiperplasia Benigna é uma técnica inovadora, de investigação, minimamente invasiva no alívio dos sintomas, que é realizada no Hospital de S. Louis, com menos riscos que as técnicas cirúrgicas e com bons resultados preliminares. O seu objectivo é interromper a circulação sanguínea que irriga a próstata, resolvendo o problema de forma rápida e duradoura e preservando a próstata. Sem irrigação sanguínea a próstata atrofia-se e os sintomas melhoram ou desaparecem.
A equipa de Radiologia de Intervenção do Hospital Saint Louis,  depois de ter efectuado a embolização com sucesso, em mais de mil e quinhentos pacientes com fibromiomas uterinos, está agora a realizar a embolização na hiperplasia benigna da próstata. No nosso país, realiza-se no Hospital Saint Louis, desde Março de 2009, tendo já sido tratados 1052 pacientes ate Junho 2016.
Em qualquer parte do mundo, a embolização é sempre efectuada por um radiologista de intervenção, um médico que é treinado especialmente para realizar este e outros tipos de embolização com técnicas minimamente invasivas, sem necessidade de incisão, não deixando qualquer cicatriz.

Como se realiza a Embolização?

Sob anestesia local, e sem perda de sangue, efectua-se um pequeno orifício de 1.5 mm de diâmetro na virilha, através do qual se coloca um fino tubo plástico, catéter. Mediante monitorização por um aparelho de raios X digital sofisticado, o catéter é dirigido para as artérias prostáticas. Partículas embolizantes de pequenas dimensões, como grãos de areia, são então injectadas numa das artérias prostáticas, entupindo os ramos que irrigam a próstata, poupando, contudo, a artéria pudenda interna, para que o paciente possa manter a função eréctil.
A embolização é depois repetida para a artéria prostática do lado oposto, através do mesmo orifício e pelo mesmo catéter.
A interrupção da circulação sanguínea da próstata causa a sua atrofia, ou seja a redução de tamanho.
A técnica dura geralmente entre 2 a 3 horas, estando o doente consciente e podendo mesmo visualizar o tratamento no monitor de televisão. Completada a embolização, retira-se o catéter, efectua-se compressão manual durante cerca de 5 minutos e coloca-se um pequeno penso compressivo, que deve ser mantido até à manhã seguinte. Duas horas após a embolização, o doente já se pode levantar do seu leito e deslocar-se para urinar.
O Hospital St. Louis é o único centro a nível mundial, onde a embolização prostática se efectua, como tratamento de rotina na HBP. Por tal motivo, alguns médicos estrangeiros, professores de Medicina, já se deslocaram a Portugal para observar a técnica e alguns pacientes para serem tratados.
O internamento dura apenas algumas horas e a quase totalidade dos pacientes vai para casa após o jantar, se a tensão arterial estiver normal, mesmo que residam a várias centenas de kms de Lisboa. Neste período, haverá um contacto permanente com a equipa médica, para avaliar queixas ou esclarecer quaisquer dúvidas.

Como surgiu a Embolização?

Desde há anos que pensava na embolização como forma de tratamento da tão frequente hiperplasia benigna da próstata. Nesse sentido, e ao longo de anos, fui contactando alguns urologistas com vista a efectuar a técnica em doentes com contra-indicação para cirurgia.

Em Outubro de 2007  faleceu o meu irmão após intervenção cirúrgica para a hiperplasia benigna da próstata. Tal facto aumentou em mim o interesse na realização da embolização.

Em Março de 2009 fui contactado por um amigo de 78 anos de idade com hiperplasia benigna da próstata, algaliado havia 6 meses, e grande depressão. Recusava cirurgia, a que já tinha sido submetido há 14,10 e 7 anos antes, e com a qual sofrera muito. Após exclusão de patologia maligna e explicação da técnica e riscos, viria a ser tratado com êxito, sendo-lhe a algália retirada 4 dias depois. Passou a urinar sem qualquer dificuldade, saiu da depressão em que se encontrava e a sua auto-estima e actividade sexual melhoraram consideravelmente, decorridos 6 meses a sua namorada estava gravida.

Dado o êxito da técnica deste caso e a ausência de complicações passei a efectuar a embolização em pacientes com sintomas de hiperplasia benigna da próstata e que recusavam cirurgia.

Que exames terá de fazer para efectuar a Embolização?

Terá de fazer uma ecografia pélvica por via transrectal para avaliar o volume da próstata. A fim de assegurar a qualidade, estes exames serão sempre obtidos no mesmo consultório e pelo mesmo médico. O paciente deverá também fazer PSA a fim de excluir tumor maligno, fluxometria, resíduo vesical pos-miccional e exames de sangue de rotina (hemograma, colesterol, trigliceridos, creatinina e ureia). Por fim, se tiver indicação para tratamento, terá de realizar uma  Angiografia por TAC, para estudar os vasos pélvicos e a possibilidade de vir a efectuar a embolização. Contudo, este exame não é completamente rigoroso, pois durante a embolização podem detectar-se pequenas lesões que tinham passado despercebidas no Angio TAC.

Qual é a percentagem de êxito da Embolização?

Nos 1000 doentes já tratados no Hospital Saint Louis, observou-se melhoria em cerca de 850 doentes. 65 dos doentes estavam com algália. Alguns dias após a embolização, retirou-se a algalia e presentemente todos os pacientes excepto três  urinam, sem qualquer dificuldade, e sem qualquer medicação para a próstata, excepto três. Depois de uma longa curva de aprendizagem os resultados actuais são melhores.

Quais são os riscos associados com a Embolização?

A embolização é uma técnica muito segura, contudo, podem ocorrer alguns riscos associados, como em qualquer tratamento médico, mas que são raros. Actualmente, no Hospital St. Louis, a maioria dos doentes não sente qualquer sintoma após a embolização. Alguns podem referir ligeira dor, calor ou ardor, que são facilmente controlados por medicação apropriada. Os riscos da embolização são muito inferiores aos da cirurgia. A fim de evitar riscos, os doentes, cujas artérias estejam muito envolvidas pela arteroesclerose, revelado pela Angio TAC, são excluídos. As complicações são as de qualquer cateterismo, sendo as mais frequentes, o hematoma no local da punção (20 pacientes), a infecção urinária (16 pacientes), facilmente evitada com a toma de antibióticos iniciados antes da embolização e a urina ou esperma com sangue e a cor roxa da coxa e abdomen. Contudo, estas reacções adversas desaparecem ao fim de alguns dias sem tratamento.

Será a Embolização Dolorosa?

A embolização não causa qualquer dor durante ou após o procedimento. Apenas seis dos doentes tratados referiu alguma dor durante e após o tratamento.

Quanto tempo dura a Convalescença?

No dia seguinte à embolização, o doente não deve estar acamado, podendo na maioria dos casos, retomar a sua vida normal, não devendo, contudo, conduzir. O paciente pode retomar a sua actividade profissional entre 2 a 7 dias, após o tratamento.

Como são os resultados da Embolização Avaliados?

Os resultados da embolização são avaliados pela fluxometria, resíduo vesical pos miccional, PSA e pela ecografia prostática realizadas ao 1, 3 , 6 e 12 meses após a embolização. Ao fim de 1 mês pode verificar-se uma redução do volume da próstata de cerca 10% a 30%. A melhoria ou desaparecimento dos sintomas verificar-se-á logo após a embolização ou no mais tardar depois de 1 semana.
Nos 270 doentes que já tratamos por embolização verificou-se melhoria ou desaparecimento dos seus sintomas, em 230 que passaram a urinar menos frequentemente e com mais facilidade, e sem necessidade de tomar qualquer medicação.

Tem havido interesse na técnica por médicos estrangeiros?

Sim, já tivemos 92 visitas de médicos que se deslocam ao Hospital Saint Louis para aprender a técnica.

Poderei ser tratado independentemente das dimensões da minha próstata?

Ao contrário da RTPU que só pode ser efectuada se a próstata tiver dimensões inferiores a 60cc, a embolização pode realizar-se mesmo em próstatas muito grandes, com volume superior a 400cc.

Será a minha potência sexual afectada?

Ao contrário da prostatectomia por via aberta, na qual alguns dos doentes ficam com disfunção sexual e ejaculação retrógrada e da RTUP, em que alguns dos doentes ficam com ejaculação retrógrada, na embolização, a função sexual não é afectada.
Dos 1000 pacientes tratados, a função sexual não foi afectada em nenhum, referindo cerca de um terço dos pacientes a sua melhoria. As esposas de 6 doente tratados engravidaram e já nasceram os filhos.

O que acontece à próstata após a Embolização?

Com a embolização, verifica-se uma interrupção parcial da irrigação sanguínea da próstata, isto é, a próstata fica em isquémia, ou seja, privada de parte da alimentação.
Como resultado, verifica-se uma redução progressiva das dimensões da próstata, que varia entre 10 e 40%, a sintomatologia dos pacientes diminui ou desaparece e a próstata deixa de crescer, o que é muito importante para o paciente. Contudo, em cerca de 20% dos pacientes a prostata pode não reduzir de dimensões apesar da melhoria dos sintomas.

Poderei tratar a HBP por Embolização?

Se tiver sintomas graves com indicação para a cirurgia e idade superior, 50 anos e não se verificarem contra-indicações, pode.

Quais são as contra-indicações da Embolização Prostática?

A ausência de sintomas é uma contraindicação. Se os sintomas forem causados por problemas de bexiga, não será tratado pois não melhorará. Em caso de duvida terá de efectuar estudo urodinâmico.

O que fazer para ser tratado?

Terá de marcar consulta  no Hospital Saint Louis. Só o deverá fazer se possuir ecografia prostática com sonda rectal, PSA e fluxograma recentes e resíduo vesica pos-miccional.
Antes de marcar consulta deverá preencher inquéritos internacionais sobre os sintomas, a qualidade de vida e a função sexual.
Na consulta, será observado, ser-lhe-á explicada a técnica e se for necessário, ser-lhe-ão pedidos outros exames.  Após esta consulta, deverá efectuar Angio TAC para avaliação dos vasos pélvicos e possibilidade de tratamento. Contudo, este exame tem algumas limitações pois por vezes podem verificar-se  pequenas lesões, durante o tratamento que não tinham sido detectadas no Angio TAC. Deverá efectuar nalguns casos um estudo urodinâmico a fim de antecipar os resultados da Embolização. Quando na posse deste exame, deverá deixa-lo no Hospital Saint Louis, para análise, que então será decidida a possibilidade da embolização.

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Comentários: 58

  1. francisco c. Bulica says:

    Boa tarde,

    sou angolano, com 56 anos, resido em luanda, a 1 ano e meio, fui prognosticado a próstata, para manter o ritmo normal em todos os aspetos, tenho tomado tansulosina(1capsula)e 2 capsulas permixion, urino normalmente a vida sexualmente ativa. Aguardo por uma biopsia prostatico, o que tem me provocado um abalo psicológico, pois o que li não tem nada haver com a realidade de muitos Paises. Apos as vossas informações, interessei-me pela as mesmas. Em quanto fica uma consulta completa?, e quantas vezes preciso de me deslocar ao hospital para posteriores controles?

    Aguardo vossa resposta

    Obrigado pela atenção dispensada.

  2. Pina says:

    vai ser respondido por mail

  3. Fernando Mendes says:

    Ola eu sou fernando tenho 54 anos sou brasileiro. Tenho sintomas de hiperplasia benigna a pelo menis cinco anos. Estive internado por uma vez com bixigoma (impossibilidade de urinar) sendo necessário uso de sonda de alivio.
    Efetuei exames de psa ultrasonigrafia e estudo urodinamico e foi indicado a cirurgia cinvencional a três anos atrás.
    Porem me recusei a fazer porque penso que é um tratamento pouco inteligente devido a ser muito invasivo e comprometedor da minha vida sexual e ainda pode o problema retornar com o tempo. Após ker sobre a embolizacão fiquei muito interessado costaria de saber como posso me tratar ai em lisboa sou funcionario publico em São Paulo trabalho como condutor de ambulância do SAMU tenho um periodo de ferias de 01/05/2017 a 16/05/2017 gistaria de saber se é possivel consiliar esse tratamento indo a lisboa nesse periodo. Agradeço qualquer informação que possam me passar obrigado

  4. Pina says:

    respondido por email.

  5. Mário Lopes says:

    Boa noite,
    Diagnosticaram-me cancro da próstata, Gleason 7(4+3). O PSA está em 32.
    Haverá alguma hipótese de, antes de qualquer cirurgia convencional, fazer um tratamento por embolização?
    Grato por uma resposta breve
    Mário Lopes

  6. Pina says:

    sera respondido por email

  7. Tania Nunes says:

    Boa tarde Prof. Martins Pisco,

    O meu companheiro tem 32 anos e foi-lhe diagnosticada hipertrofia benigna da próstata. Esta neste momento a fazer medicação (Tansulosina), no entanto, além dos efeitos secundários da medicação, nomeadamente, dor no acto sexual, entre outros, a medicação começa agora a deixar de fazer efeito e ele tem uma dor constante e muito incomodativa na zona da bexiga.
    Gostaríamos de saber se esta embolização seria uma opção para a situação dele. Somos ainda muito novos, ele é muito novo, e uma das preocupações, além do mau estar é que uma cirurgia o deixe com disfunção eréctil ou infértil de firma irreversível.
    Aguardo uma opinião do Professor.
    Muito obrigada.

  8. Pina says:

    responderemos por email

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